Quanto custa manter um jatinho particular

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O preço da autonomia e do luxo na aviação executiva é alto. Nem todos estão dispostos ou aptos a pagar por um conforto que, via de regra, parte da casa dos milhões. De dólares. Ainda assim, é grande o universo de brasileiros que decidem se tornar proprietários. Não à toa, o Brasil possui hoje a segunda maior frota de jatinhos privados do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Muito mais do que o valor de aquisição, ser dono de um avião demanda muito cálculo e inteligência para otimizar gastos e aproveitar ao máximo o potencial do valioso bem. Hangaragem e combustível, treinamento profissional e manutenção, softwares e licenças. A lista segue e, para entendê-la melhor, decidimos perguntar para quem vive isso no dia a dia: afinal, quanto custa manter um jatinho privado?

Localização importa?

Acostumado com a distância entre sua base, em Manaus, e os grandes mercados do Sudeste do Brasil, Marcos Pacheco não crê que o fator “localização” seja tão determinante para o custeio de uma aeronave particular. Presidente da Manaus Aerotaxi, o executivo faz um contrabalanço entre as peculiaridades de cada região.

Comparando Manaus a São Paulo, Pacheco concorda que o preço de combustível e peças é mais baixo na capital paulista. “Porém”, continua, “seu custo de hangaragem é muito mais alto, chega a ser de duas a três vezes mais alto que outras localidades. Por isso,“quando a gente mede esses parâmetros todos, não há tanta diferença da região que você vai ficar localizado”.

Gastos fixos

Além da hangaragem e peças, o que mais entra na conta? A lista é extensa, quem a descreve meticulosamente é o sócio da PEC Aviação, Everton Arantes. A empresa, que está baseada em Goiânia, segue as recomendações do guia de planejamento operacional da Business & Commercial Aviation.

Primeiro, Arantes destaca os custos diretos de uma missão, o que envolve combustível, tarifas de pouso e handling, rádio e tripulação. O consumo de combustível e as taxas de pouso, por exemplo, podem variar de acordo com a aeronave utilizada “e até mesmo pela operação do piloto”, ressalta.

Então entram na conta os custos fixos que, explica o dono da PEC, “são aqueles mais previsíveis em sua variação, como salário de tripulantes, treinamento, hangaragem e seguros”. Soma-se a isso todo um leque de informações que compõem a aviônica do equipamento e que demandam assinaturas para ter acesso aos serviços.

Arantes elenca a base de dados de navegação, dados de terreno, cartas, mapas e datalink como valores que variam de acordo com o modelo utilizado. “Podemos dizer que quanto mais moderno e sofisticado for o painel, em geral, mais caro serão essas assinaturas”, complementa, usando o Phenom 100EV como exemplo, consumindo, a cada ano, US$ 1,4 mil de dados de navegação, US$ 550 de terreno e US$ 6,5 mil de Datalink, que compõe o sistema de comunicação de toda aeronave.

O modelo

A variação nos valores de manutenção entre diferentes modelos também é um fator lembrado. “Quanto maior e mais complexa for a aeronave, mais exigentes serão as demandas tanto de manutenção como de operação”, resume Everton Arantes, ainda destacando a tendência de fabricantes norte-americanos serem ligeiramente menos custosos que os europeus. 

Para Marcos Pacheco, um importante fator de otimização dos gastos é a adequação da aeronave aos objetivos propostos em seu uso. “Depende muito da complexidade da operação, da sua disponibilidade de caixa e da operacionalidade que você quer dar para o bem”, explica.

Como comparativo, Pacheco desenha dois cenários: o de um fazendeiro que se desloca por sua região, de difícil acesso para carros; e o de um executivo que precisa ir a Nova York três vezes por mês. Para o fazendeiro, “um Grand Caravan pode atender muito bem, pela boa disponibilidade de carga, pelo seu trem fixo ser muito mais econômico, por ter apenas um motor e poder ser operado com um só piloto”. Já no outro cenário, “eu não posso pensar num turbo hélice, eu tenho que pensar num avião de long range”.

Reduzir despesas

Aposta de muitos, o planejamento de compra de peças e combustível pode ser uma arma na redução de despesas. Para Marcos Pacheco, da Manaus Aerotáxi, o esforço não vale o resultado. “No final das contas, isso vai te economizar 5%, com muito esforço, 10%.” Para ele, há outras maneiras de conseguir baixar os gastos.

Lidando com um mercado quase que integralmente baseado no dólar, a volatilidade da moeda e os altos valores envolvidos acabam fazendo do hedge cambial uma estratégia interessante de redução de gastos contornáveis. Pacheco ainda defende “uma melhor negociação de hangaragem, contratos de longo prazo para combustível e a contratação de um bom piloto, que cuide bem de sua aeronave”.

Nas mãos de quem entende

É possível voar solo na laboriosa decisão de manter um jatinho particular. Os especialistas, no entanto, sugerem que toda ajuda é bem vinda. “A gestão sob uma empresa especializada não só proverá um atendimento profissional, com especialistas para cada setor, mas também poderá reduzir seus custos e evitar surpresas desagradáveis”, defende o sócio da PEC Aviação.

Além das gestoras de aeronaves, há também a opção de monetizar o avião em uma empresa de táxi aéreo. “Quando você coloca sua aeronave sob uma administração profissional, você tem acesso a um pool de serviços, geralmente com um engenheiro aeronáutico próprio e vários tripulantes”, explica o presidente da Manaus Aerotáxi.

“Eu não digo que você irá ganhar dinheiro com seu avião privado no táxi aéreo, mas pelo menos é possível reduzir custos”, acrescenta Marcos Pacheco. “Isso é importante, porque se todo mês você reduzir R$ 30/40 mil de custo, estamos falando de R$ 500 mil ao ano”, reforça.

Por fim, há também o universo das propriedades compartilhadas. Impulsionada pelo setor imobiliário, a modalidade cresceu no Brasil e, atualmente, a ideia de fracionar a posse de um helicóptero ou avião com outras pessoas já não causa tanto espanto quanto antes. Especialistas calculam que esse tipo de abordagem é ideal para aqueles que voam de 10 a 30 horas por mês.

Quanto realmente custa manter um jatinho particular

O que fica evidente é que adquirir e manter um jatinho não é algo simples nem barato. Os custos envolvidos na compra e na conservação do equipamento são altos, fazendo dessa uma decisão impraticável para muitos. “Fora custo de aquisição e de depreciação, para manter o seu avião parado você vai gastar no mínimo R$ 70 mil reais por mês”, enfatiza Marcos Pacheco.

O cálculo do presidente da Manaus Aerotáxi acompanha as projeções do mercado. Nelas, a fatura mensal de um jatinho de pequeno porte chega aos R$ 90 mil. O valor cresce conforme sobe a categoria e porte da aeronave. Mid-sizes com boas horas de voo, por exemplo, não saem por menos de R$ 200 mil, a cada mês. 

O cenário pode parecer desafiador, mas é de vantagem para o brasileiro. Com um setor aéreo robusto e bem estruturado, o proprietário pode se apoiar em uma gama de soluções disponíveis, da redução de gastos ao aproveitamento do bem.

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